O tailleur branco de Angelina

Na entrega do Oscar de 2001, Angelina Jolie vestia um tailleur branco, provavelmente Dolce&Gabbana. Na vitrine da loja em Milão, hoje, um casaco da mesma marca custa 3.945 euros. Mas o traje de Angelina foi confeccionado sob medida para ela, em uma pequena fábrica ilegal do sul da Itália. Pasquale, o costureio que o fez, ganhava entre 600 e 800 euros por mês, salário de um operário que trabalha na informalidade para grande parte das grandes grifes – e não só as italianas.

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Muros da Itália

Os muros de uma cidade sempre revelam um pouco do caráter do lugar. A interpretação dessas mensagens às vezes não é simples. Pode se tratar de provocação, subversão, sentimento coletivo, catarse, ironia, sarcasmo, ou simplesmente representar a opinião dos que se sentem sem voz. As imagens a seguir foram recolhidas em sete cidades da Itália e expressam partes da complexa mentalidade de seus cidadãos. | TEXTO E FOTOS: JULIANO BRUNI E VERIDIANA DALLA VECCHIA

Foto: Veridiana Dalla Vecchia

Veneza Saluti da Vicenza [Saudações de Vicenza]. Crítica à base norte-americana localizada na cidade de Vicenza.


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Decrescer para sobreviver

A Comissão Européia publicou em 17 de junho relatório mostrando o quanto a Europa caminha para a escassez de 14 matérias-primas essencias para seu desenvolvimento tecnológico. O documento cita várias medidas que devem ser tomadas para continuar a ter acesso a esses minerais. Em nenhum momento propõe ou sugere a possibilidade de reduzir os níveis de produção ou de mudanças econômicas profundas. Entende-se pelo texto que o crescimento não pode parar. Mas essas matérias-primais mais cedo ou mais tarde acabarão.

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A “opção” nuclear

Valendo-se da preocupação com o aquecimento global e com a segurança energética, mais uma vez a “opção nuclear” volta a ser assunto. E agora tem o apoio de James Lovelock, o pai da Teoria Gaia, que entende o universo como um organismo vivo e que já foi ferrenho adversário dessa forma de produção de energia. Em seu novo livro, Gaia: Alerta Final (editora Intrínseca, 2010) ele defende que não há tempo para esperar outro formato eficaz para reduzir as emissões de poluentes.

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Depois de Hollywood e Bollywood, é a vez del Cine Argentino

Embora não muito divulgado (fora do circuito América Latina e Espanha), o cinema produzido pela Argentina tem crescido prodigiosamente. O Oscar de Melhor Filme Estrangeiro concedido este ano ao emocionante El secreto de sus ojos, de Juan José Campanella, não foi surpresa. Alheios à insistente comparação com o cinema brasileiro feita por muitos críticos , as películas produzidas pelo país vizinho melhoram a cada ano não só nos quesitos técnicos, mas também nas escolhas das histórias.


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José não ama Antonio, que não ama José

Já habituado aos romances de José Saramago e Inês Pedrosa, parti para novos caminhos portugueses: Antonio Lobo Antunes. São caminhos que seguem em direções opostas às apontadas por Saramago. Porém, no outro extremo do círculo, os caminhos sempre se encontram.

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Enterrado na areia

Todos os donos do sal fazem montes em fila, cada um assinalando o seu, depois toda a caravana se afasta por meio dia. Chega outro grupo de negros que não querem nem se deixar ver nem conversar, vêm com barcos grandes, parece que vindos de algumas ilhas; descem e, vendo o sal, colocam uma quantidade de ouro perto de cada monte; e depois voltam, deixando o ouro e o sal. Depois que partem, chegam os negros do sal; se aceitam a quantidade de ouro, pegam o ouro e deixam o sal; se acham insuficiente, deixam o ouro e o sal, e partem novamente. Tornam os negros do ouro. Os montes que estão sem ouro são carregados, nos outros colocam mais ouro, se acham justo, e deixam sal e ouro. E desta forma fazem o seu comércio sem se ver nem se falar, por meio de uma longa e aceita tradição; e apesar de ser difícil acreditar, lhes certifico ter tido essa informação de muitos mercadores… e também de pessoas as quais se pode confiar.” – La navigazione atlantica del veneziano Alvise da Mosto, Istituto Poligrafico dello Stato, Roma, 1966 (A navegação atlântica do veneziano Alvise da Mosto, em tradução livre).

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Palácio abandonado

Considerado um dos mais importantes espaços de arte em Paris, o Palais de Tokyo assusta o visitante que chega margeando o Sena em vez de usar a atual entrada principal, pela rua de trás. A sujeira e o descaso dão uma aparência de total abandono ao prédio de 1937, que atualmente abriga o museu homônimo de arte contemporânea e também o Museu de Arte Moderna de Paris.


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To be or not to be? E se Shakespeare não fosse inglês…

E se o maior dramaturgo da língua inglesa fosse de sangue italiano? Existem poucos fatos historicamente comprovados sobre a vida do Grande Bardo e, segundo pesquisadores, as discrepâncias entre biografia oficial e obras demonstram que as lacunas são muito maiores que as certezas. Recentemente, as universidades Concordia, de Portland (EUA), e Brunel, de Londres, reabriram cursos para estudar a identidade de William Shakespeare.

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Ninguém no chafariz

Da visita de fãs ingleses de futebol se pode materializar a perfeição das relações entre estranhos. Não eram hooligans, eram pessoas comuns, movidas por um gosto, unicamente. Pela primeira vez me confrontei com a existência de um contexto invejável: num par de horas viajar a um país estranho, interagir, ser bem-recebido, confraternizar.

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GÊNOVA VERTICAL | Capital da região italiana da Ligúria, Gênova é uma cidade de mar, mas equilibrada sobre os montes. O maior deles, o Reixa, atinge 1183 metros. Interessante que uma das quatro grandes repúblicas marítimas italianas (junto com Veneza, Pisa e Amalfi), chame atenção, ao menos a minha, pela sua verticalidade. Pelas ruas de Gênova, o horizonte é sempre próximo, suas vielas estreitas e curvas não permitem uma visão panorâmica. São infinitas subidas e descidas, muitas vezes formadas por longas escadarias, que facilitam a caminhada. Para enxergar longe, deve-se estar à beira-mar, quem sabe no mesmo lugar onde Cristóvão Colombo pensou em dar a volta ao mundo, sentado a admirar o Lígure. No final da tarde, entre os prédios, se ouvem trechos de conversas, risadas, brigas. Pedaços de cultura que este país oferece aos mais atentos. | texto e fotos de VERIDIANA DALLA VECCHIA
OBS: Na página de HR no flick é possível ver mais fotos deste set e dos outros já publicados. Visite.

— Brian Auger | Definitely What | 1968
— Miles Davis | In A Silent Way | 1969
— Fabrizio De André | La Buona Novella | 1970
— Banda do Casaco | Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos | 1977
— Béla Bartók | Violin Concerto N°2 | 1937-38

Q
de Luther Blisset | 2000
Gomorra
de Roberto Saviano | 2006
Bioeconomia
de Nicholas Georgescu-Roegen | 2003
Meu nome é vermelho
de Orhan Pamuk | 1998
Bizâncio
de Michel Angold | 2001

"Para ter medo, não é necessário um motivo exato. Eu estava com medo, mas quando se tem medo é bom saber o porquê."

— Émile Ajar (pseudônimo de Romain Gary, escritor lituano) La vie devant soi, 1975.